sábado, agosto 24, 2002

 
REALIDADE=LERDEZA


O maior problema com a realidade é que ela é incrivelmente lenta. Juro.Você pensa em alguma coisa, imagina uns detalhes, está pronto; pra que ela vire uma realidade, vai levar uma quantidade de tempo estupidamente maior.

Aí você diz que o problema é de trabalho, o problema é o esforço de tornar realidade, mas eu discordo. É lerdeza, mesmo. E sim, eu estou falando de trabalho, coisas que você quer ver prontas, especialmente se é só você tentando vê-las prontas; se é lazer puro, se a idéia é aproveitar, tudo bem, vamos devagar, mesmo.

Mas o que torna o trabalho uma coisa pesada, é a lerdeza, não o esforço. Pelo menos eu, aqui, não ligaria de ficar trabalhando, praticando, criando ou cumprindo qualquer tarefa que se realizasse tão rápido quanto eu a imaginava, mesmo que ela consumisse o mesmíssimo esforço. “Carregue aí estas cinquenta caixas!” Pronto, feito, velocidade do pensamento. Me cansei, mas agora tenho muito mais tempo pra descansar. Seria perfeito!

Mas o problema é que primeiro você pensa no que vai fazer, depois gasta 20 vezes isso fazendo, e enquanto está fazendo, já pensou em outras 20 coisas. É lógico, isso é muito pior com a escrita – eu falo da escrita porque é o que eu mais faço hoje em dia, mas podia ser qualquer coisa que envolva um processo criativo. Você está sentado escrevendo uma coisa, mas a sua cabeça já está dois documentos adiante; enquanto as possibilidades intrigantes daquele primeiro texto eram inspiradoras, tudo que você fez foram 5 linhas, aí sua mente já avançou e você ainda está no primeiro texto que, súbito, parece sem-graça pra caralho. E mesmo que você, com toda paciência do mundo, escreva esse primeiro texto, vai ser sem a mesma vontade, sem a inspiração, você perdeu o momento e agora tá cada vez mais descompassado com sua própria criatividade.

A solução: acaba fazendo apenas um bando de textículos feito este, onde o descompasso é pequeno por falta de espaço, e qualquer coisa que exige um ai de coerência, pesquisa e esforço prolongado vai ficando na gaveta.

Saco.

Piadinha - Se realidade=lerdeza, ao menos eu devo ser bem real. Hehehe...

posted by Heitor 11:05 PM

sexta-feira, agosto 23, 2002

 
VOCÊ PODE CHAMAR ISSO DE CRÔNICA...


Tenho cá minhas dúvidas de se vai estar certo.;-)

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O sujeito vai passeando pelo centro da cidade, desviando-se das pessoas. Vez ou outra dão-lhe um panfleto, ou dois, ou três, ou dez de uma vez, como quem diz "joga isso aqui fora pra mim?". No começo ele até se dá ao trabalho de ir na lixeira jogá-los, depois do tempo vai achando melhor juntá-los numa logo volumosa bola de papel.

Hora do almoço. Muita gente na rua. Passa uma moça alta, loira, arrumada, do tipo mulherão, patricinha e vagabunda, ou pelo menos um pouco de cada. O sujeito não tem a menor dúvida: mira bem com a mão esquerda. Do meio da multidão, grita:

- Moça!

Ela se vira na direção da voz, acompanhada no gesto por mais alguns passantes.

- Pensa rápido!

E a bola de papel-propaganda voa a toda velocidade direto nos olhos da moça.

- EI! EI! Volta aqui seu filho da puta!

Parte da multidão para pra olhar; o sujeito que jogou a bola nem é com ele. Está indo embora como se fosse pra casa - talvez fosse, por que não? Ia pra casa.

- Vocês viram isso? Viram? Alguém segura esse maluco!

A maioria das pessoas já voltava para suas vidas.

- Segura ele! Caralho. Alguém; fui insultada! Insultada! Chamem um guarda! Guarda!

- Pois não. - os olhos do guarda brilharam, mirando as coxas da moça.

- Aquele sujeito. - apontou pra ninguém, o sujeito já longe. - Aquele filho da.

- Te atacou?

- É!

- Cadê ele? Olha, não se preocupa, moça. - hesitou - Hã, doutora. Senhorita. Vou pegar esse safado.

- Foi por lá.

- Onde? Qual a queixa?

- Agressão, éééé, humilhação, afronta, sei lá. - ele olha desconfiado. - O senhor não viu?

- O que?

- O que ele fez!

- Não.

- Jogou em mim. Jogou uma, uma bola de papel em mim!

O guarda ri.

- Tá certo então. Que ele fez?

- Jogou uma bola de papel! Em mim!

- Ah, minha, é, senhorita, senhora, sei lá. Vamos fazer o seguinte. Por vinte pratas eu vou até lá e quebro esse babaca de porrada.

- Hein?

- Tu ouviu.

- Ora, vá se fuder.

- Vai tu.

Ele vai embora, passa um carro.

Outra bola de papel bate na testa da moça.

- HEADSHOT! - grita o motorista. - SE FODE AÍ!!!

E vai embora pra casa.

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isso ficou estranho...

posted by Heitor 5:44 PM

domingo, agosto 18, 2002

 
CARO R. BALBI


Aqui aproveito a oportunidade para continuar, com o devido espaço, o debate iniciado no blog do lendário rufus . Se você não viu e está com preguiça de ir lá ver, resumidamente é o seguinte: meu amigo Balbi é um saudosista dos infernos, q declarou em alto e bom som q os desenhos de hj em dia não são páreo para os desenhos de antigamente. Eu disse que isso é saudosismo barato, as crianças ainda se divertem muito hj em dia, e daki a 15 anos vai ter uma bando de tontos feito ele dizendo a mesma coisa. Aí ele falou q o saudosismo não pode nos impedir de ver as coisas de maneira crítica, e q ele não está falando de todas akelas merdas q passavam na TV, mas sim principalmente de alguns desenhos realmente geniais, nos quais o criador exercia um papel muito importante e blábláblá... No caminho ele tbm demonstrou relações entre o hentai e a pedofilia... mas isto definitivamente não vem ao caso. Eis aki seu último post, q irei carinhosa e cuidadosamente desmontar (no sentido físico da coisa, no argumento vou só tentar com afinco) ao responder:

"Você está errado ao dizer que Tom e Jerry, Pica-Pau e Looney tunes têm a mesma fórmula e principalmente o mesmo traço. Havia uma diversidade de estorinhas absurda em todos (desde a criança filha do gigante, até as coisas do Zeca Urubu... Stray Cats.. pootz... Os Impossíveis), que variava muito de ritmo e estilo (exceção que faço é Tom e Jerry, que era sempre a mesma merda). Pois repare o ritmo frenético de Pica-Pau com o ritmo cool da Pantera; o estilo desta com o traço característico do Pernalonga, e o tipo de piada deste com o do Tom e Jerry. Muda e muito. (...)”

- Bom, cara, pra começar, pegando desenhos ao longo de 4, 5 décadas é lógico q vc vai ter uma variedade absurda. Se vc colocar só os produzidos nos últimos 2 ou 3 anos, q é do q estamos falando, e é uma produção gde como há muito não se via, não tem como competir. Mas ainda assim: os Looney Tunes, Tom & Jerry, pica-pau, e esses surgidos na época do Mel Blanc e do Tex Avery, seguiam fórmulas semelhantes. Basicamente vc tinha um bicho tentando pegar outro mais esperto e sendo constantemente enganado, em situações variadas de espaço-tempo, mas era isso. Depois, na era Hanna-Barbera anos 70, vc tinha ou um mascote atormentado por alguma autoridade (Zé Colméia, Manda-Chuva, Maguila Gorila...), um grupo de garotos q se aventuravam com um mascote (Scooby, Tu-tubarão...), ou uma família típica (Flinstones, Jetsons), ou um super-herói sem graça paca (Space Ghost, Homem-Pássaro). Mas todos eles eram meio parecidos, em matéria de narrativa e traço. Impossíveis era provavelmente a grande exceção, já q eram super-heróis com graça, ao lado da Corrida Maluca q inventou sua própria fórmula;-)

De todo jeito, esses desenhos todos ainda passam, e muito. Vc já viu as maratonas do Cartoon? O q me lembra: putaqpariu, as crianças de hj tem 2 canais só de desenhos; e as brasileiras! Tá bom q Fox Kids tem muito pouca coisa boa, mas fora do horário nobre do Cartoon passa todo tipo de velharia. E vc, nem eu, jamais tivemos oportunidade de ver desenho em horário nobre, aliás. Enfim, hoje eles tem tudo q vc tinha mais um bocado.

“Ah, mas as produções novas ofuscam as velhas”. Pois é, na nossa época tbm. Porra, vc via mais Zé Colméia e Pantera Cor-de-Rosa ou Comandos em Ação e Thundercats? E isso por acaso te proporcionou uma infância ruim?

“(...)Em comum mesmo, só a violência cartunesca (a mesma que utilizam até hoje), que por sinal já tem contornos diversos nas produções Hanna e Barbera, e que, diga-se de passagem, faziam questão de supervisionar bem de perto cada passo da produção de seus desenhos, diferentemente do que acontece hoje em dia (ver neste post o que eu disse sobre o concurso de novos cartoons).”

- Hoje em dia, vc pode apostar q tem algum sujeito supervisionando coisas do Naipe do selo Cartoon Cartoon bem de perto. Tá certo, não é o autor, pq nenhum deles é um fenômeno capaz de ser autor de todos como Hanna e Barbera eram. Os Looney Tunes são obra de vários autores, supervisionados todos pelo mesmo produtor (cujo nome eu esqueci)...

“(...)E quanto à relação íntima com do artista com o personagem, posso lhe garantir que um sujeito, que logo de cara ganha o posto de chefia de produção, e que larga o personagem na mão do estúdio em apenas 3 anos, vai levar o dobro de tempo para atingir a excelência de intimidade com a sua criação, do que levou, por exemplo, o Charles Schulz, que sempre trabalhou de forma integral nas suas obras.(...)”

- Charles Schulz é uma das exceções surgidas em 80 anos de animação. Se a gente pesquisar pra caralho, talvez ache mais 5 caras como ele. É, eu concordo q o sujeito q faz isso naum alcança a mesma intimidade, e é uma pena; eu gostaria q Tartakovsky tivesse continuado no comando de Dexter, por exemplo. Uma pena, o desenho piorou bastante qdo ele saiu... o mesmo para o Johnny Bravo. Espero q não abandonem o “Coragem” para o estúdio tbm...

Ah, nós nem tocamos nos desenhos japoneses q invadiram a TV recentemente, hein? O Rafael uma vez disse q, em breve, isso seria considerado tipo o trash dos anos 2000... não posso deixar de pensar q sim. Mas há coisa boa no meio disso tudo, e há coisas boas até nos desenhos ruins... como sou freguês do estilo japonês de desenho faz tempo, em especial dos robôs gigantes, acabo vendo de tudo um pouco e posso dizer q, no mínimo, todos eles divertem.

"...Ah, e Hentai maligno = pedofilia disfarçada.”

- Bom, antes os desenhos q as criancinhas de verdade.:-)
posted by Heitor 3:50 PM

 

"Eu esperei uma eternidade por isso... atualizaram o bonilha!"

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Atualizado quando eu quero e foda-se!

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alguém devia proibir esse tipo de trocadilho idiota.

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Nem todo mundo pode parecer sinistro. A maioria fica apenas... ridícula.

Bem-vindos! O blog mudou de hospedeiro, mudou de cara, largando aquela coisa de template temático, mas continua a mesma parada tosca.

BONILHA BLOG não é um projeto, não é uma experiência, é apenas um lugar onde posso escrever publicamente o que quer que ache interessante, para quem quer que ache interessante poder ler.

 

QUEM É VOCÊ?

Heitor Coelho, na casa dos vinte, atualmente no limbo entre bacharelado e advocacia, magalômano, ponto focal de convergência de interesses esdrúxulos, frequentemente confundido com Hector Bonilla, acredita em dialética, astrologia e robôs gigantes.

Se você tem algum comentário sobre esse blog, ou encontrou algum erro, link defeituoso, etc., por favor mande-me um mail

BREVE:

Xenosaga: Episode 2! Haradrynn! Tao 2! E mais referências pseudo-intelectuais do que você poderia contar nos dedos!

CONTOS DO BONILHA!

O velho Kryptus parece meio cansado... já faz 8 anos q ele estreou um conto meu.

Para você ler online, ou baixar para ler no seu computador. Um estoque permanente de toda minha "extensa" obra literária!

PS: Parei com aquela porcaria de legenda, aquilo dava muito trabalho...

CONTOS:

"APRENDIZ DE FEITICEIRO"- este é dos velhos. Magos infestam um futuro apocalíptico(q, aliás, já passou;-)).

"O ARNALDO É LOUCO" - crônica escolar, sobre meu antigo professor de matemática.

"OS DIAS NEGROS DE KRYNN" - ainda mais velho, meu primeiríssimo. D&D puro, se vc num gosta, fique longe.

"DEZ REALIDADES" - coletânea de dez pequenos contos ligeiramente interligados.

"DESCRENÇA EM 6° CÍRCULO" - menos D&D q Dias Negros, mas muito maior. Velhos companheiros de aventura reencontram-se, agora como inimigos.

"É, MAURÍCIO..." - o trágico fim de Maurício Razi?

"A TERRA DA DEUSA FURIOSA" - uma expedição rumo ao desconhecido e um final inusitado.

"NÉVOA PRATEADA" - a sequência de "Aprendiz de Feiticeiro".

"MOLHADO" - um assento de Ônibus molhado e muita realidade consensual.

"MATRIZ" - pequena sequência de estórias passando-se na Casa da Matriz, aki no Rio.(antes q vc pergunte, com personagens fictícios)

"RANDÔMICOS" - a origem de Gericault, andarilho dos olhos prateados, e um breve debate sobre Destino, Acaso e Morte.

"KÉRAMUS E O POTE DE VENTO" - a história do mago mais poderoso de Heshna, e de como ele consegiu encher um pote com vento.

"JUSTIÇA" - conto policial com Shade, um detetive levemente amargo.

"MUUNAITE III, DE PARTI" - 2 amigas batem um papinho na festa mais boyplay da cidade.

"TAO, O NOME" - conheça TAO, o maior jogador de videogame de todos os tempos.

"O SONHO DE TAKASHI" - o primeiro conto lodista! Pode Takashi lembrar-se de seu sonho e sua idéia ao mesmo tempo?

"PISANDRO" - um professor de História relembra sua juventude, seu amor perdido, e suas desavenças com Deus e o Destino.

"O EVANGELHO SEGUNDO K. C." - dois senhores discutem música e religião num futuro próximo. Bom, não tanto.

"NADA DEMAIS" - Nada demais mesmo. Juro.

"TAO - POR QUE LUTAR" - Tao, o rei dos games, revela algo do seu passado, e de como começou a jogar sério.

"BRINQUEDOS" - Os brinquedos de Joãozinho eram especiais: podiam falar e até mesmo brincar sozinhos! Ou será que eles estavam trabalhando?